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Glossário: 12 termos de IA e automação em português de gente

Agente, API, integração, LLM, webhook, RAG: o que cada termo das propostas de IA significa, com um exemplo de operação real para cada um.

Fornecedor que explica mal cobra melhor. Boa parte das propostas de inteligência artificial que chegam à mesa de um gestor usa dez palavras que ninguém traduz — e a falta de tradução é o que impede a pergunta certa. Este glossário existe para devolver a pergunta.

Cada termo abaixo vem com uma definição de uma frase e um exemplo de operação comum. Nenhum deles é complicado; eles apenas nunca foram explicados.

1. Automação

Fazer com que um programa execute uma tarefa que hoje uma pessoa faz à mão, seguindo regras.

Na operação: toda manhã alguém confere quais boletos venceram e manda mensagem para cada devedor. Automatizar é fazer um programa ler a lista e enviar as mensagens — a pessoa só entra quando o cliente responde algo fora do padrão.

2. Integração

Fazer dois sistemas que não se conhecem trocarem informação sem ninguém digitar no meio.

Na operação: o pedido fechado no WhatsApp aparece sozinho no sistema financeiro, sem alguém copiar e colar. Se existe uma pessoa re-digitando entre dois sistemas, ali falta uma integração.

3. API

O “balcão de atendimento” de um sistema para outros sistemas: um conjunto de regras que define o que se pode pedir a ele e como.

Na operação: o seu ERP tem uma API se ele permite que outro programa consulte um cliente ou lance uma despesa sem passar pela tela. Perguntar “esse sistema tem API?” é a pergunta mais barata que evita um projeto inviável.

4. Webhook

O contrário da API: em vez de você perguntar, o sistema avisa você quando algo acontece.

Na operação: em vez de checar de hora em hora se entrou um pagamento, o banco avisa o seu sistema no instante em que o dinheiro cai.

5. LLM (modelo de linguagem)

O tipo de programa por trás do ChatGPT e semelhantes: lê texto e produz texto, tendo aprendido padrões de uma quantidade enorme de material escrito.

Na operação: é o que permite ler uma nota fiscal em PDF, ou um pedido escrito em português corrido no WhatsApp, e transformar em campos organizados.

6. Agente

Um programa que usa um modelo de linguagem para decidir e executar uma sequência de passos, não apenas responder.

Na operação: um agente recebe a nota do fornecedor por e-mail, identifica de quem é, confere o valor contra o pedido, lança no financeiro e chama uma pessoa só quando algo não bate.

7. Prompt

A instrução que se dá ao modelo. Escrever prompt é escrever a regra do trabalho, em português.

Na operação: a diferença entre um agente que classifica bem e um que erra costuma estar aqui, não no modelo — a instrução é vaga, ou não diz o que fazer no caso duvidoso.

8. RAG (busca com contexto)

Técnica que faz o modelo consultar os documentos da sua empresa antes de responder, em vez de responder de memória.

Na operação: é a diferença entre um assistente que inventa a política de garantia e um que lê a sua política de garantia e responde citando o trecho.

9. Alucinação

Quando o modelo responde com confiança algo que não é verdade.

Na operação: é o motivo pelo qual um agente que fala com cliente precisa de limites, e um que lê documento precisa citar a fonte. Não se elimina o risco; controla-se — restringindo o que ele pode afirmar e obrigando a citação.

10. Token e custo por uso

Modelos cobram por quantidade de texto processado, medida em pedaços chamados tokens. Quanto mais texto entra e sai, mais custa.

Na operação: é o item que aparece na fatura maior que o previsto quando ninguém definiu um teto. Toda automação séria com IA nasce com limite de gasto e medição por processo — sem isso, o custo só é descoberto depois.

11. Versionamento

Guardar o histórico de mudanças de um sistema ou fluxo, para saber o que mudou, quando e por quê — e poder voltar atrás.

Na operação: é a diferença entre “parou de funcionar e ninguém sabe o que mexeram” e “a mudança de ontem às 16h quebrou; revertida em dois minutos”.

12. Monitoramento

Ter um mecanismo que avisa quando algo falha, em vez de descobrir pelo cliente.

Na operação: o fluxo de cobrança falhou às 3h e um alerta chegou às 3h01. Sem isso, a falha é descoberta na segunda-feira, pelo cliente — e o custo já aconteceu.

O uso prático deste glossário

Com esses doze termos, dá para ler qualquer proposta de IA e fazer as três perguntas que separam fornecedor sério de vendedor de promessa:

  1. Quais sistemas serão integrados, e eles têm API? Se a resposta é vaga, o projeto ainda não foi pensado.
  2. Qual o teto de custo por mês, e como ele é medido? Se não há teto, a conta é uma surpresa contratada.
  3. O que acontece quando quebrar — quem é avisado, e em quanto tempo? Se a resposta for silêncio, quem vai avisar é o seu cliente.

Se o que você quer é decidir qual processo atacar primeiro, o caminho está em por onde uma empresa média começa.

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